DIAS DA SEMANA

VIAGEM AO CONHECIMENTO

A obra de São Martinho de Dume deve ser apreciada numa múltipla perspetiva: sede espiritual, necessidade interior (eremita, asceta), apostolicidade direta, isto é, um navegar permanente pelo oceano do divino e um mergulhar, sem regatear, nas águas celestiais, fontes e pontos de luz da Verdade, da Palavra.
Mas quis mais e conseguiu-o! Sentia-se incomodado, perturbado pelo facto de os dias da semana não veicularem a memória cristã que contém os sentidos da Criação!
A denominação anterior a São Martinho evocava os deuses romanos: 2.ª feira, “Luna” (Lua); 3.ª feira,”Marte”, deus da guerra; 4.ª feira, “Mercúrio”, mensageiro dos deuses; 5.ª feira,”Júpiter” (=Jove, pai dos deuses); 6.ª feira, “Vénus”; Sábado,”Saturno”.
O termo “feira” terá a sua origem em “feria”, com o sentido de “dia de trabalho” (provavelmente “dia livre de orações”), evoluindo depois para “feira”, na passagem do latim vulgar para português. Temos então um denominativo para os dias da semana ajustado à hermenêutica da Bíblia: de 2.ª a 6.ª feira Deus trabalhou (“feria”); o sábado correspondia ao descanso, sendo o domingo o dia de louvor ao Senhor.
É de referir que a língua portuguesa (e a galega) é curiosamente a única das línguas românicas a abandonar a designação pagã dos dias da semana. Com efeito, quer o espanhol, quer o francês, quer ainda o italiano, mantiveram na sua etimologia os nomes dos deuses romanos, com a introdução, todavia, de um sistema misto, que se generalizou em toda a área românica , no que se refere ao sábado e ao domingo. Para o primeiro termo (sábado), recorreu-se ao nome hebraico “Sabbath” (ou “Shabat”) e para o segundo, a forma do latim “dominicus”, quer dizer, dia do Senhor.
O nome dos dias da semana é assim herança de S. Martinho de Dume.
José André Fernandes

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