A minha infância

Eu nasci no dia 22 de Fevereiro de 1956 em Eerbeek, uma pequena aldeia no Leste dos Países-Baixos (a partir de 1 de Janeiro de 2020, já não posso dizer Holanda, porque o governo decidiu que Holanda não é mais o nome oficial do país, pois o nome oficial passa a ser Países-Baixos. Quem sou eu quando não posso dizer mais que sou Holandês, sou País-Baixense ?? Estou a sofrer uma crise de identidade!).
O meu pai era professor duma escola de condução e a minha mãe era dona de casa. Tenho uma irmã, que se chama Karin. Ela é cinco anos mais nova do que eu.
Eu lembro-me que a minha educação como criança na casa dos meus pais era muito protegida, porque a minha irmã mais velha, a primeira filha dos meus pais, Marion, morreu com nove meses por causa duma infeção dos rins negligenciada pelo médico de família. Como criança, eu tinha sempre que vestir-me com muitas roupas e muitas vezes eu era gozado pelos colegas na minha turma na escola.
A minha mãe tinha uma saúde fraca. Ela tinha a doença de Bechterev e sofria muitas vezes com dores graves nas costas. Por causa disso, a maior parte do tempo fui criado pelos meus avós maternos.
Nos arredores de Eerbeek, há uma floresta e lembro-me que eu e o meu pai, sempre que podíamos, íamos aos domingos de manhã cedo para a floresta para observar os javalis ou procurar cogumelos comestíveis ou ainda colher frutas silvestres. Eu lembro-me que uma vez encontrámos um javali fêmea com filhotes. Quando nos viu, ela queria atacar-nos, porque se sentia ameaçada por nós. Tivemos que correr muito rápido para o nosso carro.
Primeiro, eu fui para uma escola média em Apeldoorn e depois para o Liceu em Zutphen e tinha aulas extras com um professor, o senhor Keers, para me apoiar nos meus TPCs. Ele tinha um primo que era físioterapeuta e trabalhava num hospital em Amesterdão. Nesta clínica havia dois departamentos de Neurologia e dois de Psiquiatria. Eu candidatei-me para fazer a formação de Enfermagem Psiquiátrica, que durou três anos. Fui admitido e em 1974 mudei-me para Amesterdão, a grande cidade que meus pais chamavam “A selva”. Pela primeira vez, vivia pelos meus próprios meios, independente dos meus pais. Os meus pais ficaram muito preocupados e, de quinze em quinze dias, eu tinha de regressar e visitá-los. Os primeiros anos foram maravilhosos com muitas experiências novas e muitas coisas loucas dos anos 70 e 80 nos Países-Baixos.
Posso dizer que tive uma juventude muito feliz.

Jan Karel Klein Gotink (João Carlos)

Um comentário em “A minha infância”

  1. Não há dúvidas que o nosso colega Jan Karel é já um portuga de alto gabarito. Atrevo-me a dizer que muitos dos nascidos no nosso país não escreveriam um texto tão correto como este com que fomos brindados.
    Parabéns portanto ao nosso Jan.
    Quero também agradecer-lhe da maneira como partilhou conosco a sua história de vida que muito me sensibilizou e dizer ao Jan que todos nós temos a nossa história umas boas e outras menos
    Portanto meu amigo faço votos que possamos conviver muito tempo e que se sinta bem neste país que também já é seu.
    Nós os tugas somos um povo acolhedor e eu espero que se sinta bem entre nós

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