A batalha do Vimeiro – visita

Confesso que gostei…
A passar dois dias fora de casa, coisa rara na minha idade, quisemos conhecer a zona onde o filho resolveu instalar a residência – S. Mamede, freguesia da Roliça, concelho do Bombarral.
Roliça faz parte dos locais onde se disputaram recontros militares da guerra peninsular, com as três invasões dos exércitos de Napoleão de 1807 a 1810. Mas, como não é fácil ter acesso às instalações museológicas da Roliça, optámos por visitar o Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro, essa sim uma batalha mais a sério.
Para nos situarmos na história, estamos em 1807, no ano em que o nosso rei D. João VI resolve fugir com a sua corte para o Brasil, ao saber que Napoleão queria prendê-lo por não aderirmos ao bloqueio continental que ele decretou contra a Inglaterra.
Os soldados franceses, comandados por Junot, entram em Portugal no dia 17 de novembro de 1807 sem grande resistência e Junot faz de rei, decretando impostos e impondo a ordem nas rebeliões que vão aparecendo, especialmente no Norte.
Depois de conversações, a Inglaterra envia uma boa armada que vai desembarcando ali perto da Figueira da Foz e começa a organizar-se como resistência, a que se juntam os 2592 soldados portugueses comandados por Bernardim Freire de Andrade. As tropas anglo-lusas, sob o comando do Tenente-general Sir Arthur Wellesley, somavam 15 870 homens.
Junot dá ordens para um pequeno exército seguir para Torres Vedras e investigar o que se passa, enquanto prepara as restantes tropas para também seguirem para Norte. É neste entretanto que se dá a batalha da Roliça, onde os luso-britânicos cercam e atacam os soldados franceses no cimo da serra do Picoto. Já com muitos mortos dos dois lados, os franceses decidem retirar-se para sul, o que foi suficiente para Junot ter organizado o seu grande exército em Torres Vedras e se preparar para o recontro com as tropas de Wellesley.
Com o desembarque de mais expedicionários, Wellesley conta com 18 878 homens, dos quais 2 100 eram portugueses, distribuídos por cavalaria, infantaria e artilharia. Assim, avança para sul e estaciona na planície do Vimeiro, com várias elevações e colinas, uma delas na zona onde hoje se ergue o Centro de Interpretação.
Junot consegue juntar perto de 14 000 homens e é com estes que avança para norte, ao encontro do exército anglo-luso. Ali se desenrola a batalha do Vimeiro, onde o número e a qualidade das tropas ditaram a primeira grande derrota dos exércitos de Napoleão. Refira-se a eficácia da artilharia britânica e o emprego de granadas shrapnell, que se dividiam em estilhaços.
No campo de batalha, o exército anglo-luso deixou 720 baixas e os franceses perderam cerca de 1800.
Junot retirou-se finalmente e começou o processo de retorno dos soldados a França, com “armas e bagagens”, o que incluía os roubos que perpetraram, infelizmente.
Ainda teríamos de suportar mais duas invasões, mas hoje ficamos por aqui.

NOTAS

1 – Três salas bem apetrechadas, com paredes recheadas de ilustrações e notas explicativas. Atendimento pessoal muito cordial.
2 – Serviço de áudio-guia para ouvir mais explicações de itens da exposição;
3 – Maquete larga a representar os recontros no monte onde se situa a igreja e um mini-acampamento das tropas com sua tenda;

4 – Exposição de armas (fuzis e pistolas) da época, que eram carregadas pela boca e não chegavam a dar dois tiros por minuto;

5 – Bonita imagem da disposição das tropas em azulejos;

6 – Fotos e vídeos de momentos significativos e finalmente uma curta metragem sobre a batalha do Vimeiro.
7 – À volta do Centro, espaços largos com relva e com imagens, azulejos de cenas históricas e ainda um monumento de homenagem evocativa do centenário da Batalha, inaugurado pelo rei D. Manuel em 1908.

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