Fotos de outros tempos

As aulas da Unisseixal, de vez em quando, despertam-nos sentimentos estranhos, uns de alegria ou tristeza, outros de comprazimento ou repulsa que nos enchem os dias. A memória está cheia, a transbordar, e por vezes temos de passar ao papel (ou ao computador!) a abundância de vida que certos momentos nos despertam.
Aconteceu isso numa aula de Sites e Blogs, quando a professora mostrou um conjunto de fotos de outros tempos que lhe tinham enviado.
Eu disse logo que iria falar de algumas, pois os anos da meninice estavam cheios daquelas recordações. E aqui estou eu a cumprir com diligência o prometido.

1 – O amolador – era uma figura que aparecia na aldeia de tempos a tempos e muito necessária para afiar tesouras e outros objetos cortantes e também para consertar guarda-chuvas. Aqui, nesta foto, no entanto, faz o ofício de gateiro, uma terceira função que consistia em reparar loiça de barro (pratos, tigelas, alguidares…), fixando grampos de metal (gatos, assim se dizia) e massa consistente de modo a dar novo uso ao objeto. Assim se poupava dinheiro com esta reciclagem!

2 – A cozinha da nossa casa quase que não tinha móveis. Havia uma mesa, um pouco maior que esta, com uma gaveta para os poucos talheres que usávamos e para guardar o pão. À volta da mesa sentavam-se os membros da família com uma colher para tirar a comida de uma tigela. Só aos oito ou nove anos é que apareceram os pratos individuais na nossa casa. Havia algumas cadeiras e ainda bancos e tripeças de  cortiça, estas para nos sentarmos à beira do lume.

A cantareira (assim se chamava) servia para guardar os pratos e, em baixo, tinha uma base para o cântaro de barro – o asado com duas asas – com um púcaro para tirar a água.

3 – Na minha meninice, o candeeiro a petróleo era o elemento essencial para prover à iluminação da casa, ultrapassando a candeia de azeite, que já vem de séculos anteriores.  Também se usavam as velas, mas muito pouco e eu não sei se era por serem caras ou por serem difíceis de encontrar. Este candeeiro já permitia melhor luz, mas tinha os seus inconvenientes: a chaminé de vidro podia quebrar-se com facilidade em contacto com o frio no exterior da casa. Veio depois o petromax, muito mais potente e com uma luz clara, o que nós admirávamos, por, pela primeira vez, acabar com a escuridão noturna. Mas aquela camisinha que nos alumiava desfazia-se com tanta facilidade que era pouco prático pela manutenção que exigia…

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