Formas de tratamento

A propósito de um email que dizia: «Aqui estou-te a enviar o meu trabalho de casa.», aproveitei para tratar na aula  um assunto difícil para os estrangeiros: as formas de tratamento.

REGRAS:

1 – tu: tratamento familiar, pessoas que se conhecem bem e se relacionam no dia a dia ou ainda no tratamento de uma pessoa mais velha para uma mais nova;

2 – tu não se usa em sites ou em instruções, receitas, manuais, guias… Exceção – quando as mensagens se dirigem a crianças.

3 – Você usa-se quando o tratamento não é familiar (entre vizinhos, colegas ou de superior para inferior), mas nunca de inferior para superior (até pode ser falta de respeito!).

Muitas vezes, o “você” substitui-se por outras expressões: “o senhor enganou-se”, “o professor afirmou”, “o senhor doutor receitou-me”…

ATENÇÃO:

A – “Você” é evolução fonética de Vossa Mercê – Voss’mecê – vomecê – você…

“Você” corresponde à terceira pessoa. Diz-se «tu dirás» e não «você dirás», «vocês direis».

O correto é dizer: “Vossa Mercê sabe, Vossas Mercês sabem”.  Assim, também: “Você sabe”, “vocês sabem”.

B – Vossemecê ainda hoje se usa como expressão de estima, deferência, gratidão…

C – “Si e consigo” são também formas de tratamento: ex. – eu gosto de si (você ou senhor/a); – eu aprendo muito consigo (você, senhor/a).

Mas estas formas são também formas pronominais reflexas: – ela levou o filho menor consigo, tirando bilhete só para si; – eles deram tudo, ficando com os livros para si

D – Vós quase não se usa. É mais uma expressão regionalista do Norte.

Assim, hoje as pessoas gramaticais são: eu, tu, você, ele-ela / nós, vocês, eles-elas

NOTA FINAL IMPORTANTE: estamos a assistir a profundas alterações no modo como nos tratamos uns aos outros, o que se deve por certo a uma certa necessidade de inovação. Ora isto confunde mesmo. Vemos pais a tratar filhos por “você” e filhos a tratar os pais por “tu”; vemos esposos ou namorados a tratarem-se por você; e até mesmo o “tu” começou a alastrar entre pessoas que mal se conhecem. Assim, as regras vão-se alterando…

A este propósito, leia-se o que uma estrangeira escreveu no jornal “OBSERVADOR” a propósito do

                                                              tu, você ou senhor? 

António Henriques

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